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21-1-2010, S. João da Madeira
ADS suspende mais de 25 processos em Tribunal
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Há cerca de seis meses à frente da ADS – Associação Desportiva Sanjoanense – a nova direcção tem centrado a sua acção, no que diz respeito à liquidação da dívida do clube, nos processos que decorriam em Tribunal. Desta forma, conseguiram suspender mais de 25 processos que se desenrolavam na Justiça contra o clube e que a qualquer momento poderiam ditar uma penhora. A abordagem inicial foi negociar com todos. “Entramos em contacto com os respectivos credores, apresentamo-nos como uma nova direcção, querendo cumprir com o que estava em dívida e apresentamos uma calendarização de pagamentos”, explicou Luís Vargas Cruz, vice-presidente do clube, esta semana, em declarações à Rádio Regional Sanjoanense. “Todos eles [credores] aceitaram e ficaram contentes por alguém da Sanjoanense, desde há muito tempo, dar a cara, porque ninguém dava a cara” e, neste momento, o clube encontra-se “a cumprir religiosamente o que foi estabelecido ao nível de calendarização de pagamentos”, pensada para 36 meses.
Dívidas a técnicos e jogadores
Também os processos em Tribunal movidos pelos ex-jogadores da Sanjoanense Vicente e Brandão foram suspensos. O clube conseguiu de igual forma chegar a acordo com os antigos atletas. “Não chegou a haver sentença porque chegámos a acordo antes da audição do Tribunal e esperamos que, porventura, se surgir mais algum processo desses consigamos estabelecer novo acordo”, referiu Luís Vargas Cruz. Ainda assim, sem solução para já está o processo do jogador Paulo Jorge a seguir os trâmites legais. Já em relação aos técnicos e jogadores “que envergaram a camisola da Sanjoanense durante a época passada”, a direcção está a negociar caso a caso e tem apresentado a todos um plano de pagamento, também a 36 meses.
Menos 150 mil euros na dívida
Em números arredondados, a direcção do clube conseguiu reduzir para 1 milhão e 150 mil euros a dívida que se situava no milhão e 313 mil euros. Certo é que no final do mandato da actual direcção o passivo não estará liquidado, mas segundo Luís Vargas Cruz grande parte já não deverá existir, nessa altura. E mudando a direcção existe um acordo escrito que obriga ao cumprimento de todos os planos de pagamento estabelecidos e que ultrapassem o tempo do mandato actual. Depois, há a dívida relativa ao «Plano Mateus», que vem já de há muitos anos e que tem vindo a ser reduzida com verbas do Totobola. Há também directores e ex-dirigentes a quem o clube está em dívida. É o caso de Pedro Ventura. O ex-presidente do clube aceitou ser um dos que verá os seus créditos pagos mais lentamente e tardiamente, para que a Sanjoanense se possa concentrar em situações mais urgentes, como aquelas que decorreram ou decorrem nos tribunais.
O clube da formação
Apesar das dificuldades que a Sanjoanense atravessa, “o aspecto desportivo não foi descurado”, avançou o vice-presidente, acrescentando que “os sócios têm que pensar que a Sanjoanense não é só 20 atletas da equipa sénior de futebol”, apesar de concordar que o futebol será a modalidade com “mais impacto” na massa associativa. “Temos mais de 1000 atletas e temos de dar apoio a todos eles e colocar a funcionar todos os dias uma máquina de logística, transportes, pavilhões”, salientou Luís Vargas Cruz, para quem “cada vez mais a Sanjoanenses é um clube de formação” e com “provas dadas” em todas as modalidades, sendo que o clube também motiva técnicos a frequentarem formações e cursos, o que se tem verificado uma boa aposta dada a quantidade de equipas a competir em campeonatos nacionais, a disputar títulos distritais, entre outros. “Acho que a formação é o futuro da Sanjoanense e, nós, como um clube de uma cidade pequena, dificilmente, penso eu, nos próximos anos poderemos almejar que o futebol sénior esteja em altos voos”, salientou.
Ana Luísa Tavares
In O Regional
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